‘Abraço de tamanduá’: conheça método utilizado pela espécie para se proteger
Técnica é utilizada quando o animal se sente acuado por um possível predador. Espécie executa técnica quando se sente acuado com a aparição de algum predador
Técnica é utilizada quando o animal se sente acuado por um possível predador. Espécie executa técnica quando se sente acuado com a aparição de algum predador
Reprodução/Redes sociais
Você já ouviu o termo “abraço de tamanduá”? No diálogo informal, essa expressão tem como significado ‘um gesto de deslealdade ou traição’. Na verdade, essa prática é realizada pelo animal quando se sente acuado perante a um possível predador. Além do uso no vocabulário cotidiano, o movimento também vem ganhando muita visibilidade nas redes sociais nos últimos tempos, atingindo simultâneas visualizações em vídeos virais.
Flávia Miranda é pesquisadora e coordenadora do Instituto Tamanduá, uma organização que surgiu em 2005 com o intuito de desenvolver ações de pesquisa, educação e criação de políticas públicas na missão de proteger as espécies da ordem Xenarthra (tamanduás, tatus e preguiças) no Brasil. Em entrevista, ela explica como conseguem efetuar essa ação.
A cauda do tamanduá-bandeira é uma forma de camuflagem e funcionam até como cobertor na hora que se deitam. Quando se levantam, a cauda lembra uma bandeira
Flávia Miranda
“Eles têm uma vértebra com uma adição a mais de epífises, ou seja, um osso a mais na vértebra da coluna, que ajuda ele se manter em pé. Então, a gente acredita que ele fique em pé para aumentar essa área olfativa e para se defender dos predadores, para ele ser maior”, diz Flavia.
No movimento, apoiam-se nas patas traseiras, abrem os braços, mostram as garras afiadas e esperam pacientemente. Se o predador não avançar, recuam, mas se avançar, podem receber um abraço mortal.
“Ele executa essa técnica quando se sente acuado, para ele realmente parecer maior. Já abre os braços para poder se defender de qualquer predador, afinal, ele é uma presa de muitos carnívoros e de outros animais. Quando ele abre o braço naquela posição bem característica do famoso ‘abraço de tamanduá’, é porque ele está com medo ou está se defendendo de algum ataque”, explica a pesquisadora.
O tamanduá-mirim pode ser chamado de tamanduá de colete em algumas regiões
Flávia Miranda
Não é coincidência a expressão “abraço de urso” e “abraço de tamanduá” terem o mesmo significado. Outras espécies de mamíferos também realizam essa prática, mesmo que por outros motivos diferentes aos dos tamanduás.
“Várias espécies também ficam em pé, com o urso e a irara. O tamanduá aumenta sua área olfativa, pois ele não enxerga muito bem, mas, para outras espécies de mamíferos, ficar em pé pode significar o aumento da área de visão”, reforça a coordenadora do Instituto Tamanduá.
A ESPÉCIE
Hoje, conhecemos 10 espécies de tamanduás: o tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla), o tamanduá-mirim (Tamandua tetradactyla), o tamanduá-do-norte (Tamandua mexicana) e outras 7 subespécies de tamanduaí (Cyclopes didactylus), descobertas inclusive por Flávia Miranda.
Tamanduaí é a menor e menos conhecida espécie de tamanduá do mundo
Flávia Miranda
Destes, o bandeira, o mirim e o tamanduaí ocorrem no Brasil. O tamanduá-bandeira é encontrado em todos os biomas brasileiros, mas é considerado vulnerável pela IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza, na sigla em inglês). As ameaças enfrentadas pelo bandeira são principalmente as queimadas em plantações de cana, atropelamentos e destruição do habitat para a agricultura.
"Já o mirim e o tamanduaí estão na categoria pouco preocupante, mas enfrentam as mesmas dificuldades do bandeira. O tamanduá-mirim está distribuído pela Floresta Amazônica, Mata Atlântica, Caatinga e Savanas, como o Cerrado. O tamanduaí ocorre na Floresta Amazônica e, recentemente, foi encontrada uma população na Mata Atlântica", diz Flávia.
O nome da espécie origina-se de uma palavra de origem tupi-guarani: Tamandua, que significa "comedor de formigas".
“Eles se alimentam exclusivamente de cupins e formigas. São insetívoros, não possuem dentes, possuem uma língua vermiforme, uma língua bem longa, e o peito dele é coberto por glândulas salivares, que lubrificam essa língua. Ele secreta muita saliva, uma saliva mais grossa e pegajosa para capturar esses alimentos”, relata a especialista.
O tamanduá costuma repousar em tocas durante as horas mais quentes do dia e é um dos mamíferos mais velhos do mundo, ocorrendo há cerca de 65 milhões de anos.
“A magna ordem Xenarthra, constituída pelos tamanduás, tatus e preguiças, são evolutivamente muito antigos. E ainda são exclusivos da América Latina”, conclui Flávia Miranda.
*Texto sob supervisão de Fernanda Machado
Reprodução/Redes sociais
Você já ouviu o termo “abraço de tamanduá”? No diálogo informal, essa expressão tem como significado ‘um gesto de deslealdade ou traição’. Na verdade, essa prática é realizada pelo animal quando se sente acuado perante a um possível predador. Além do uso no vocabulário cotidiano, o movimento também vem ganhando muita visibilidade nas redes sociais nos últimos tempos, atingindo simultâneas visualizações em vídeos virais.
Flávia Miranda é pesquisadora e coordenadora do Instituto Tamanduá, uma organização que surgiu em 2005 com o intuito de desenvolver ações de pesquisa, educação e criação de políticas públicas na missão de proteger as espécies da ordem Xenarthra (tamanduás, tatus e preguiças) no Brasil. Em entrevista, ela explica como conseguem efetuar essa ação.
A cauda do tamanduá-bandeira é uma forma de camuflagem e funcionam até como cobertor na hora que se deitam. Quando se levantam, a cauda lembra uma bandeira
Flávia Miranda
“Eles têm uma vértebra com uma adição a mais de epífises, ou seja, um osso a mais na vértebra da coluna, que ajuda ele se manter em pé. Então, a gente acredita que ele fique em pé para aumentar essa área olfativa e para se defender dos predadores, para ele ser maior”, diz Flavia.
No movimento, apoiam-se nas patas traseiras, abrem os braços, mostram as garras afiadas e esperam pacientemente. Se o predador não avançar, recuam, mas se avançar, podem receber um abraço mortal.
“Ele executa essa técnica quando se sente acuado, para ele realmente parecer maior. Já abre os braços para poder se defender de qualquer predador, afinal, ele é uma presa de muitos carnívoros e de outros animais. Quando ele abre o braço naquela posição bem característica do famoso ‘abraço de tamanduá’, é porque ele está com medo ou está se defendendo de algum ataque”, explica a pesquisadora.
O tamanduá-mirim pode ser chamado de tamanduá de colete em algumas regiões
Flávia Miranda
Não é coincidência a expressão “abraço de urso” e “abraço de tamanduá” terem o mesmo significado. Outras espécies de mamíferos também realizam essa prática, mesmo que por outros motivos diferentes aos dos tamanduás.
“Várias espécies também ficam em pé, com o urso e a irara. O tamanduá aumenta sua área olfativa, pois ele não enxerga muito bem, mas, para outras espécies de mamíferos, ficar em pé pode significar o aumento da área de visão”, reforça a coordenadora do Instituto Tamanduá.
A ESPÉCIE
Hoje, conhecemos 10 espécies de tamanduás: o tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla), o tamanduá-mirim (Tamandua tetradactyla), o tamanduá-do-norte (Tamandua mexicana) e outras 7 subespécies de tamanduaí (Cyclopes didactylus), descobertas inclusive por Flávia Miranda.
Tamanduaí é a menor e menos conhecida espécie de tamanduá do mundo
Flávia Miranda
Destes, o bandeira, o mirim e o tamanduaí ocorrem no Brasil. O tamanduá-bandeira é encontrado em todos os biomas brasileiros, mas é considerado vulnerável pela IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza, na sigla em inglês). As ameaças enfrentadas pelo bandeira são principalmente as queimadas em plantações de cana, atropelamentos e destruição do habitat para a agricultura.
"Já o mirim e o tamanduaí estão na categoria pouco preocupante, mas enfrentam as mesmas dificuldades do bandeira. O tamanduá-mirim está distribuído pela Floresta Amazônica, Mata Atlântica, Caatinga e Savanas, como o Cerrado. O tamanduaí ocorre na Floresta Amazônica e, recentemente, foi encontrada uma população na Mata Atlântica", diz Flávia.
O nome da espécie origina-se de uma palavra de origem tupi-guarani: Tamandua, que significa "comedor de formigas".
“Eles se alimentam exclusivamente de cupins e formigas. São insetívoros, não possuem dentes, possuem uma língua vermiforme, uma língua bem longa, e o peito dele é coberto por glândulas salivares, que lubrificam essa língua. Ele secreta muita saliva, uma saliva mais grossa e pegajosa para capturar esses alimentos”, relata a especialista.
O tamanduá costuma repousar em tocas durante as horas mais quentes do dia e é um dos mamíferos mais velhos do mundo, ocorrendo há cerca de 65 milhões de anos.
“A magna ordem Xenarthra, constituída pelos tamanduás, tatus e preguiças, são evolutivamente muito antigos. E ainda são exclusivos da América Latina”, conclui Flávia Miranda.
*Texto sob supervisão de Fernanda Machado
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